
1988 Marco
Zé Pedro: Guitarra
Gui: Saxofone
Kalú: Bateria
Tim: Baixo e Voz
João Cabeleira: Guitarra
Manuel Echezarreta: Piano
Humberto Nuno: Botas e portas
Grupo Coral Trálálá: Coros
David: Overflyzer
Produção: Ramon Galarza e Paulo Junqueiro
Gravaçao e Mistura: Paulo Junqueiro, Jorge Barata e Ramon Galarza, no estúdio Angel II
Fotos: Pedro Lopes e Paulo Seabra
Capa: Marco Santos
LP Polydor 835 631-1
MC Polydor 835 631-4
CD Polydor 835 631-2


As torres da Cinciberlândia
À minha maneira
Para
ti Maria
Nós dois
Andarilhos
Carta
certa
Doçuras
Enquanto a noite cai
Botas
Prisão em si
Sou
bom
Minha casinha


As Torres da Cinciberlândia
Ele há um sítio entre a estrada e o mar
Que fica de fora para quem lá quer chegar
Tem uma porta escondida pelo azar
Que só se abre para quem lá que entrar
Às tantas pensas que é tudo a brincar
É todo o
espaço que cresce com o teu ser
É o tempo que se
dobra ao passar
Será real tudo o que estás a ver
Já vi as torres da Cinciberlândia
São sete corres a riscar o céu
Já vi as torres da Cinciberlândia
Com os olhos que Deus me deu
Sete e tão altas que devem ultrapassar
O fim das nuvens, até o fim do ar
Ninguém lá mora, só servem para brilhar
P'ra quem as vê, p'ra quem lá quer chegar
Já lá voltei, já busquei o lugar
Não o achei, cansei-me de andar
Já era tarde, não ia lá mais voltar
Àquele sítio entre a estrada e o mar
letra: Tim
música: Xutos & Pontapés

À minha maneira
Em qualquer dia
A qualquer hora
Vou estoirar
P'ra sempre
Mas entretanto
Enquanto tu duras
Tu pões-me
Tão quente
Já sei que hei-de arder na tua fogueira
Mas será sempre, sempre à minha maneira
E as forças que me empurram
E os murros que me esmurram
Só me farão lutar
À minha maneira
Por esta estrada
Por este caminho
A noite de sempre
De queda em queda
Passo a passo
Vou andando
P'ra frente
Já sei que hei-de arder na tua fogueira
Mas será sempre, sempre à minha maneira
E as forças que me empurram
E os murros que me esmurram
Só me farão lutar
À minha maneira
letra: Tim
música: Xutos & Pontapés

Para ti, Maria
De Bragança a Lisboa
São 9 Horas de distância
Queria ter um avião
Para lá ir mais amiúde
Dei cabo da tolerância
Rebentei com três radares
Só para te ter mais perto
Só para tu te dares
E saio agora
E vou correndo
E vou-me embora
E vou correndo
Já não demoro
E vou correndo p'ra ti Maria
Maria
Outra vez vim de Lisboa
Num comboio azarado
Nem máquina tinha ainda
E já estava atrasado
Dei comigo agarrado
Ao ponteiro mais pequeno
E tu de certeza à espera
Rebolando-te no feno
E saio agora
E vou correndo
E vou-me embora
E vou correndo
Já não demoro
E vou correndo p'ra ti Maria
Seja de noite ou de dia
Trago sempre na lembrança
A cor da tua alegria
O cheiro da tua trança
De Bragança a Lisboa
São 9 Horas de distância
Queria ter um avião
Para lá ir mais amiúde
E saio agora
E vou correndo
E vou-me embora
E vou correndo
Já não demoro
E vou correndo p'ra ti Maria
letra: Tim
música: Xutos & Pontapés

Nós dois
Posso-te sorrir no escuro
E pensar que tu nem vês
Posso-te beijar com os olhos
E pensar que tu nem sentes
Desenhar todas as curvas
De que é feito o teu corpo
Penetrar-te nos teus sonhos
Com a ponta dos meus dedos, os dedos
Que vai ser de nós dois
Com as ancas me conduzes
Com os braços tu me apertas
Com os seios me seduzes
Como o mar e as descobertas, abertas
Que vai ser de nós dois
Que vai ser de nós dois
O que virá depois
Que vai ser de nós dois
letra: Tim
música: Xutos & Pontapés

Andarilhos
E aí vamos de novo na estrada
Trocamos vistas sem ver nada
Cada um segue a sua devoção
Sua ilusão
Voam chapéus
Doem as pernas
Aqui e ali
Ampara a criança
Cuida de todos, cuida de ti
No teu caminho
E vim a ser mais um andarilho
Já ponho um pé à frente do outro
Já dei comigo fora do trilho
Por tão pouco
Agora a hora
É de alegria
Chegamos hoje
Ao fim do dia
Vamos lavar
Os corpos suados
Pelo caminho
E eis que chega
O amanhã
É levantar
Seguir viagem
Adeus, adeus
Toma coragem
P'ró teu destino
E vim a ser mais um andarilho
Já ponho um pé á frente do outro
Já dei comigo fora do trilho
Por tão pouco
letra: Tim
música: Xutos & Pontapés

Carta certa
Tens de olhar e ver
O que há p'ra fazer
N
ão tens de esperar
Que te venham dizer
Para onde vais
Quais são as coisas
Para onde vais
Aquilo que tu vais ver
Tens de acreditar
No que há p'ra vir
Mesmo o mais forte
Acaba por cair
E no teu crer
No teu sentir
Tem de haver poder
Vais ter que o descobrir
Tu deitando a carta certa...
Ninguém joga para perder
Todos querem vir a ganhar
Tu deitando a carta certa...
Olha para ti
O que é que tu vês
O que tens para dar
Tens que o dar a valer
Tens de olhar e ver
O que há para fazer
Não tens de esperar
Que te venham dizer
O que é que é
Como é que foi
Como é que é
O que é que foi
Para onde vais
Quais são as coisas
Para onde vais
Aquilo que tu vais ver
Tu deitando a carta certa...
Ninguém joga para perder
Todos querem vir a ganhar
Tu deitando a carta certa...
letra: Zé Pedro
música: Xutos & Pontapés

Doçuras
Hei-de encontrar
Aquilo que procuras
Para te dar
E receber ternuras
Doçuras
Se eu não achar
Aquilo que procuras
Vou aguentar
As tuas amarguras
Doçuras
letra: Tim
música: Xutos & Pontapés

Enquanto a noite cai
O sol desce para Monsanto
Enquanto ele faz a barba
Adormeceu entretanto
Já saiu a namorada
Aguardou este momento
Sabe que a hora é sagrada
Nem é tarde nem é cedo
Era a que estava marcada
Vai por cima do roupeiro
Acha a caixa arrumada
Sopra o pó abre-lhe o fecho
Dá com ela descansada
Descansada está a arma
No pano adormecida
Tão perfeita, tão gelada
Própria p'ra te roubar a vida
E enquanto a noite cai
O que é que ele vai ser
Trancou a porta de casa
Desceu decididamente
Aspirou o ar da rua
Fundiu-se no mar de gente
Vi a arma e apanhei-a
Dei com o corpo no barranco
Já nasceu a lua cheia
Desceu o sol em Monsanto
E enquanto a noite cai
O que é que ele vai ser
letra: Tim
música: Xutos & Pontapés

Botas
De manhã
Afogado
Pela calçada
Vai descendo
Cospe as tripas
Constipado
No sinal ainda vermelho
Com cuidado
Aquecendo
O bairro deixa dormindo
Abre o vidro
Ganha a pista
Da cidade vai saindo
Ele é lindo
É lindão
É tão
lindo
É sensação
Prego a fundo
Deslizando
Pela estrada vai abrindo
Ponteirada
No vermelho
Mão crispada conduzindo
Cheiro a borracha queimada
Pela esfrega
Conduzindo
Curvas com um pé de fora
As rodas seguem ganindo
Ele é lindo
É lindão
É tão
lindo
É sensação
letra: Tim
música: Xutos & Pontapés

Prisão em si
E numa prisão em si
Não saindo do que é seu
Foi esquecido
Adormeceu
À procura do amanhã
Andam homens inseguros
Erguem escadas
Partem muros
A nós os montes imundos
Dêem-nos os vales profundos
Sítios onde é
Impossível ir
Ergam escadas
Partam Muros
letra: Tim
música: Xutos & Pontapés

Sou bom
Eu cá sou bom
Sou muito bom
Eu cá sou bom, sou muito bom
Sou sempre a abrir!
Eu cá sou bom
Sou muito bom
Eu cá sou bom, sou muito bom
Sou um partir!
E sou tão bom
E sou tão belo
E sou tão alto
E sou tão forte
E tão gentil
Eu cá sou bom
Sou muito bom
Sou do baril
Vocês são tam...
Não valem na...
Eu cá sou bom
Sou bom, bom, bom
Eu cá sou bom
Sou muito bom
Eu cá sou bom, Sou muito bom
Paranormal
Eu cá sou bom
Sou muito bom
Eu cá sou bom, Sou muito bom
Sou o maioral
E sou tão bom
E sou tão belo
E sou tão alto
E sou tão forte
E tão gentil
Eu cá sou bom
Sou muito bom
Vim do Brasil
Vocês são tam...
Não valem na...
Eu cá sou bom
Sou bom, bom, bom
Como consegues ser tão bom?
És sem dúvida
o maior !
letra: Xutos & Pontapés
música: Xutos & Pontapés

Minha casinha
As saudades que eu já tinha
Da minha alegre casinha
Tão modesta quanto eu
Meu Deus como é bom morar
Num modesto primeiro andar
A contar vindo do céu
letra: João Silva Tavares
música: António Luís de Melo


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